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Tartaruga Amiga

Divagações, opiniões, passagens interessantes

Silvana da Costa Alves

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Espaços, blogs e 'afins' de pessoas que conheço.
6/29/2009

Futeboleando

Quem me conhece agora, pode achar que sou fanática por futebol. Não é bem assim.
Primeiro: não entendo mesmo de futebol. Mal sei o nome de alguns jogadores e entendo tanto de esquema de jogo quanto da cirurgia pra colocar as pontes no coração do meu pai.
Segundo: alguns conhecem a minha historinha de ser anti-gremista e depois virar colorada. Mas nem eu mesma sei se foi nessa ordem.

A única coisa que sei é que o vermelho vibra em mim quase tanto quanto o verde que minha mãe jura que é minha cor preferida por ter sido a primeira cujo nome aprendi. Tá, até foi por um tempo, agora nem sei se tenho "uma cor preferida". Mas se tiver, ela bem pode ser a vermelha. Como poderia ser diferente? Minha infância foi na década de 70!! Toda semana tinha um título a comemorar (ou assim eu percebia o tempo).
A distância deve ter se encarregado de aumentar esse 'coloradismo', assim como me fez perceber o quanto de raízes há em mim. 

Mas o que não admito é 'doença' por times. Futebol vôlei, basquete, não importa o esporte. Torço muito mesmo pelo Inter, fico contente quando dá, temporariamente triste quando vai mal; mas não há quem possa dizer que 'tirei onda' com esta ou aquela pessoa por torcer por determinado time. O que não entendo é pq tanto gremista (pra nem mencionar outros torcedores)- que nem sabe o que anda fazendo seu time - vem pegar no meu pé quando o Inter perde (o que é natural de todo esporte), tirar sarro mesmo. Eu apenas respondo que não sou apta a este tipo de discussão ou que não aceito provocações, assim como não as faço. Respeito é bom e eu gosto, pombas. De dar e receber!

Ora, se a vida já não é suficientemente complicada, eu vou transformar o que era pra ser entretenimento em discussão?
Nesse quesito, foi matadora a frase de minha sobrinha, enquanto minha irmã, nervosa,  assistia - depois de muitos anos - um jogo do Inter pela TV: 'mãe, não fica assim; afinal são todos brasileiros'. Minha Jarina querida, eu ampliaria... Não somos todos humanos?







6/2/2009

hoje...

...falei mais espanhol  que português o dia todo.
Sabe essas associações que a mente faz? Por causa do verbo "acostumbrar" lembrei da música e percebi que sempre soube sua letra inteira.
 
Tú me acostumbraste
A todas esas cosas
Y tú me enseñaste
Que son maravillosas
Sutil, llegaste a mi
Como la tentación
Llenando de inquietud
Mi corazón

Yo no concebía
Como se quería
En tu mundo raro
Y por ti aprendí
Por eso me pregunto
Al ver que me olvidaste
Por que no me enseñaste
Como se vive sin ti
5/22/2009

minha irmã Marie mandou

TODO MUNDO

Maria Sanz Martins -  www.noprovador.com.br

Já perdeu a chave de casa
Já comeu um bicho de goiaba
Já falou na hora errada
Já exagerou na pimenta
E já mereceu uma palmada.

Todo mundo já ouviu uma fofoca maldosa.
Já matou aula na escola
Já sentiu apertar o sapato
E já experimentou cigarro.

Todo mundo já passou uma noite em claro
Já precisou de um trocado emprestado
E já esqueceu (de propósito) de dar um recado.

Todo mundo já tomou um banho de gato
Já se arrependeu de ter ligado
Já se fez de coitado
E já rasgou um retrato.

Todo mundo já sofreu por amor.
Já chorou escondido
E já se sentiu perdido.

Todo mundo já ganhou um beijo roubado
Já guardou roupa suja de volta no armário
E, pra se livrar de um chato, já deu o próprio telefone errado.

Todo mundo já sentiu ciúme
Já se encharcou de perfume
Já deixou comida no prato
E já passou pra frente um boato.

Todo mundo já contou mentira
Já sentiu frio na barriga
Já se fez de bobo
E já fugiu de uma briga.

Todo mundo já futucou uma ferida.
Já Pediu colo
Já Sentiu saudade
E já duvidou de uma amizade.

Todo mundo já fez de um copo uma tempestade.
Todo mundo, ao menos de vista, conhece o pecado.
Todo mundo tem, no fundo, um segredo guardado.

Somos todos humanos seres - ora presas indefesas, noutras, predadores implacáveis.
Somos carcaça, pêlo, cheiro, garras e língua afiadas.
Somos, como se sabe, feitos de certezas, paredes, chão e telhado de vidraça.

Somos apaixonados, misteriosos e desconfiados. Ansiosos, curiosos, ciumentos e apressados. Somos pais, filhos, amigos, namorados, amantes, parentes, colegas, patrões e funcionários. Falíveis heróis, ou bondosos algozes, mas, de modo geral, sempre bem intencionados.

Temos um mundo inteiro dentro da gente – sol nascente, lua crescente, arco-íris, catástrofes, incêndios e enchentes.
Somos um mistério profundo - talvez jamais saibamos de onde viemos ou para onde vamos.
Somos, sobretudo, confusos.
Mas, ainda bem, não só eu, nem só você - nós e todo mundo.

5/17/2009

rabiscos antigos (de 4 maio)

Assim é a vida.
sentada no aeroporto, lembrando da frase de John Lennon:
a vida é o que acontece enquanto você faz planos.

Emocionada lembrando de meu irmão criança.

Esperançosa, pensando quando vou começar a vida.
Acho que agora é só começar a juntar cacos, ver o que quero carregar
e o que deixo, definitivamente, na Terra Vermelha de Tara.

Ao tentar 'punir' algumas pessoas pelo que eu achava que tinham feito,
punia apenas a mim mesma enlutando-me sem perspectivas.
5/12/2009

a alma imoral, nilton bonder

(...) o verdadeiro grande crime do ser humano é quando ele pode dar-se uma simples volta a qualquer momento e não o faz.

(...) Aquele que não faz uso de todo o seu potencial, de alguma maneira diminui o potencial de todos os demais. Se fôssemos todos mais corajosos e temêssemos menos a possibilidade de sermos perversos, este seria um mundo de menos interdições desnecessárias e de melhor qualidade.

(...) Dar a volta e encontrar novas tarefas*, novos “bons”, é receber nova força vital. (...) Quem tem coragem de bancá-las* não conhece a depressão.

(...) O não -encontro de si mesmo está na capacidade de arcar com a transgressão.

 

Aqueles que permitem as transgressões da alma com certeza são vistos e recebidos pelos outros como estrangeiros. Os que mudam de emprego radicalmente, os que refazem relações amorosas, os que abandonam vícios, os que perdem medos, os que se libertam e os que rompem experimentam a solidão que só pode ser quebrada por outro que conheça essas experiências. A natureza da experiência pode ser totalmente distinta, mas eles se tornarão parceiros enquanto “forasteiros”. (...)

NESTA PARTE, ELE CITA OUTRO RABINO (Rabino Polsky) :

Faça seu caminho. Isso poderá lançá-lo ao exílio e sua sociedade nativa poderá tornar-se estranha, e você poderá ter muito pouco a ver com as pessoas de lá e não ter com quem comunicar-se. Mas não se esqueça de que você sempre terá a D’us para fazê-lo encontrar outros em exílio com quem terá muito para conversar.

......


Creio que é preciso ver esse deus de maneira muito ampla e não como uma entidade religiosa. O deus que cada um de nós carrega internamente, nossa fé em nossas capacidades, vontades. O deus que desconhece todas as respostas mas anseia por elas, mesmo sabendo que não terá a todas. O deus que se perdoa. Que brinca. Que confia. Que ama. Que é amado. Coisa doida. Durante todo o caminho andamos feito cavalos com viseiras, puxando cargas desnecessárias sem olhar para o lado. Quando nos libertamos, percebemos coisas que sempre estiveram ao nosso lado ao longo do caminho.

Esse cavalo, que opta pelo caminho do meio, não pode ser o apaixonado, pois este não é moderado. O caminho do meio é o que evita a controvérsia. Escolhido pela segurança e pela convenção.

5/11/2009

o bom e o correto

Sala de embarque.
Corredores lado a lado levavam a diferentes aeronaves.
Ambos os vôos para a mesma cidade. Mas o "outro" me deixaria no aeroporto mais central.
 
Vontade quase irresistível de apenas dar um passo pro lado. Ninguém para impedir a minha escolha entre o "bom" e o "correto".
 
Satisfação em 'apenas' perceber minha liberdade de escolha. E a possibilidade de fazer. Aí entra a trangressão. A traição à tradição.
Bom, umpouco pelo menos. De maneira simplista.
 
Optei pelo correto em detrimento do bom. E não transgredi. Mas me traí no sentimento na vontade de fazer.
5/3/2009

Experiência não faz, necessariamente, alguém sábio.

Em menos de uma semana senti praticamente todas as dores físicas e psicológicas que poderia suportar em tão pouco espaço de tempo.
 
Como nunca, me sinto qual Fênix, renascida. Eufórica pelas novas descobertas, feliz por me permitir crescer e mudar. Feliz em ter coragem.
 
 
4/27/2009

Rhett Butler, eu te amo

por me fazer ver.
 
Vou buscar a inspiração na Terra Vermelha de Tara.

.

se eu não soube ver a tempo,
 
tu não me deste tempo.
 
eu, que recém descobria o que era gostar
 
tu, que notava declarações do meu querer em frase que eu falava com o coração, sem pensar.
 
no entanto, com toda essa agudeza não vimos
 
eu, que te amava já, evitando os rótulos
 
tu, que não prestou atenção a quantas vezes eu disse que era nova nisso e que "te queria aqui, comigo"

Nem às Paredes Confesso

 

Amália Rodrigues

Composição: Maximiano de Sousa / Ferrer Trindade / Artur Ribeiro

Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça,
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Eu sou sincera
Porque não quero
Dar-te um desgosto

De quem eu gosto
nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém
Podes sorrir
Podes mentir
Podes chorrar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.

Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
por quem eu espero
Se gosto ou não afinal
Isso é comigo,
Mesmo que penses
Que me convences
Nada te digo.

De quem eu gosto
nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém
Podes sorrir
Podes mentir
Podes chorrar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.

o vilão da história

e quando a gente descobre que o vilão é a gente?
 
teve um momento que eu percebi que era o vilão de uma história. é ruim.
 
Mas é pior quando a gente descobre que é o vilão de si mesmo. Eu descobri que fiz escolhas pra esta vida que não sabia serem tão difíceis. E não tenho mais volta. Não aprendi a ser gente. Não aprendi a ser adulta. E agora, não sei lidar com as dores que eu mesma me causei.
 
 
 
 
 
4/25/2009

Cansaço

De repente, num desabafo, polemizei.

Só pra vocês entenderem, um colega de profissão começou uma conversa em que estavam as frases


"Ser artista é ser melhor que o mundo? Qual a tua diferença?

Você procura? O que vc procura? Quando vai achar? Vai fazer o que? Achar?
Pimenta no seu dói menos que no meu?
Não procuro resposta...Esbravejar é a palavra. "

Após uns comentários variados de pessoas variadas, suspirei
"
pensei que eu nunca desistiria...agora já não sei mais.
meu cansaço de dar murro está crescendo... sinto-me esgotada e ao mesmo tempo triste por ser tão patética"

Cinco dias depois me aparece um recado de alguém agradecendo minha "botada de fogo na fogueira" mas em palavras decentes.
Fiquei curiosa... De que diabos ele tava falando?
Dei de cara com uma puta discussão a partir daquilo que até me animei.
Ganhei as frases
- As grandes transformaçôes do mundo foram feitas por Homens cansados.
- Silvana, se as suas colocações estivessem no palco, rodeadas como aqui desta boba civilidade internética, sinto que despontaria a verdade cênica, o conflito, a essência...


E desatei

Meu cansaço aumentou um tantinho quando da perda do dramaturgo Reinaldo Maia há uma semana. Conheci pouco do seu trabalho é verdade, mas ao ouvi-lo falar, finalmente escutei algumas respostas às minhas perguntas. Meu cansaço não vem tanto de ficar apenas sobrevivendo do trabalho que tento fazer, mas de ver tão poucas pessoas pensando através dele.
Meu cansaço não vem de um retorno externo que não espero, mas do retorno interno. Das pessoas com quem experimentei trabalhar e que não sabem sequer por que estão nisso. Infelizmente estou afastada daqueles que tinham uma busca como a minha. E não estou sabendo muito como encontrar isso aqui em SP.
Ao ouvir Reinaldo falar no ano passado, senti que não estava sozinha, que não era completamente louca e havia um sentido nas coisas que penso.

Comecei, há pouco tempo, a me interessar por um tema que, no fundo, tem muito a ver comigo, mas as pessoas que vejo escrevendo e dirigindo-o, estão longe e me pergunto: quanto tempo mais até descobrir pessoas que não tenham medo de pensar (e não digo COMO EU, vejam bem!) e jogar pra fora esses questionamentos, eventuais descobertas.

Cansei e tenho medo do quanto pode durar este meu cansaço desta vez.

Água

Vi WATER (2005), de Deepa Mehta. Não tenho a intenção de fazer comentários artísticos, pois não tenho essa capacidade.

Mas ela é, definitivamente uma artista. Ter visto em seqüência os três filmes foi ótimo para ter uma real dimensão disso.
Há momentos em que realidade e ficção estão de tal forma sobrepostos que nos pensamos diante de um documentário de extrema sensibilidade.

Obrigada, Carol, pela sugestão.
4/21/2009

Deepa Mehta

Sempre há uma ligação biográfica em cada trabalho artístico.

Recentemente comecei a conhecer o trabalho cinematográfico da realizadora naturalizada canadense Deepa Mehta. A crueldade e singeleza com que individualiza questões de seu país natal, a Índia, encantam, chocam e fazem pensar. Seu olhar agudo percebe a realidade numa cidade contemporânea, mescla de usos ocidentais e costumes tradicionais em “Fogo” e através da simplicidade do olhar infantil temos uma versão não-romantizada da independência política do país em 1947, no filme “Terra”. Aliás, o olhar infantil se faz sempre presente. A individualização nos permite compreender, humanamente, as situações vividas, coisa impossível através de textos históricos ou artigos jornalísticos. Entre outros filmes, há ainda “Água” de 2005 que, imagino, complete uma trilogia.

Em “Fogo” (1996), o olhar sobre a realidade feminina e a não menos perdida realidade masculina na índia ‘moderna’ nos traz sons, cores e até – ouso dizer – odores atuais sem perder a ligação com a identidade tão religiosa do país.

“Terra” (1998) poderia ser resumida na cena em que três crianças conversam sem se importarem com as diferenças que mataram mais de um milhão de pessoas apenas no ano da independência da Índia. Poderia. Mas é muito mais que isso. Ali a realizadora consegue deixar no ar certas questões; onde deixamos nossa inocência? Quando deixamos de ser simples para complicar a ‘essência’ de ser humano’?

Longe de serem filmes comerciais, mas também longe de serem ‘apenas’ filmes-cabeça merecem sim, uma busca e uma reserva em nosso tão atarefado cotidiano de um tempo para sentir o fogo, a terra e – pretendo em breve - a água da Índia.

4/20/2009

...

pensei que eu nunca desistiria...agora já não sei mais.

meu cansaço de dar murro está crescendo... sinto-me esgotada e ao mesmo tempo triste por ser tão patética.
 
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Video

http://br.youtube.com/watch?v=SMdySOT-a6Y http://www.youtube.com/watch?v=7paJCTUTG-0 http://www.youtube.com/watch?v=6nisfYzEG34
pra começar alguma pesquisa de teatro